Eu tenho habilidades para fazer histórias tristes. Talvez, tal qual a natureza, eu precise flertar com a possibilidade viceral de viver a destruição. Há algo de profundamente orgânico nisso, como se uma programação biológica antiga me empurrasse, vez ou outra, a morrer para então renascer. E a morrer de novo. Muitas vezes. Nada evolui sem ruptura. Nada se transforma sem colapso. A vida avança porque algo, em algum momento, cede. Nada na natureza permanece intacto o tempo todo. Há quedas, rachaduras, secas, invernos horrendos e tempestades repentinas. E depois, quase sempre, um silêncio fértil onde algo novo começa a se organizar. Ontem, ao pé do ouvido, o menino Charlie me disse uma frase, dessas que parecem sem efeito mas carregam um mundo inteiro dentro: “ Viver para ser melhor também é um jeito de levar a vida. ” Viver para ser melhor não é viver para ser perfeita, nem para ser feliz o tempo todo. É aceitar o caos. É sustentar a pergunta. É permanecer em movimento mesmo sem ...
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