Koi no Yokan e o retorno ao meu próprio coração

 


Há encontros que acontecem antes mesmo de alguém chegar.
Encontros silenciosos, íntimos, nascidos no território secreto onde a alma pressente, antes de ver, que algo luminoso se aproxima. Os japoneses chamam isso de koi no yokan — não o amor que explode de imediato, (não o amor a primeira vista, talvez a segunda vista) mas o pressentimento delicado e intenso de que uma história está prestes a florescer.

Durante muito tempo eu procurei esse sinal fora de mim.
Busquei em rostos, gestos, promessas e coincidências a centelha que me dissesse: “é por aqui”. 

Mas a vida, sábia em seus desvios, me conduziu de volta ao meu próprio centro. E foi nesse retorno — lento, às vezes doloroso, outras vezes libertador — que percebi que o primeiro pressentimento que importa é aquele que chamamos de intuição.

Voltar para mim tem sido como reencontrar uma música cujo refrão eu já sabia cantar, mesmo sem lembrar quando a ouvi pela primeira vez.
Como reconhecer a letra antes de ouvir a canção.
Como sentir uma familiaridade antiga comigo mesma, como se minha alma sussurrasse:
“é aqui. é agora. é contigo que a história continua.”

E então compreendi: koi no yokan não é apenas sobre encontros amorosos.
É sobre encontros profundos.
É sobre o instante em que o coração intui que a vida ainda guarda caminhos que brilham, que a estrada não terminou, que existem futuros inteiros esperando para serem tocados.

Hoje, quando encontro comigo mesma — mais madura, mais honesta, mais serena — sinto esse pressentimento de novo. Ele se acende como uma pequena luz no peito, uma luz que não exige pressa, apenas presença.

Porque voltar pra mim tem sido exatamente isso:
deslumbrar a vida com o pressentimento de que grandes histórias ainda podem e vão acontecer.

E esse é o pressentimento mais bonito que já senti.

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