Enamorar-se
Eu me lembrei dessa palavra recentemente. De uma música ou talvez de um filme? Não sei. É possível que a lembrança de uma vida passada trespassou pela fenda do esquecimento e a trouxe de volta. Ou ainda um dos passeios invisíveis da alma foi atingida por ela. Talvez você não saiba, mas me deixe dividir contigo o que eu aprendi: Enamorar-se vem diretamente do espanhol “enamorarse”, formado por: en- (prefixo de envolvimento, entrada, movimento para dentro), amor (do latim amor, amoris) -arse (desinência pronominal reflexiva do espanhol, que no português virou -se).
Não é pura poesia? Isso me faz pensar que somente a alma poderia conhecer essa palavra. Ela é muito sublime, em seu âmago, para estar registrada num emaranhado circuito elétrico cerebral. Não combina.
Um estado que promove movimento, que te faz voltar a si, recebendo e colocando amor onde falta, com uma "desinência reflexiva" não é desse mundo, desses tempos, dessa dimensão...
Ser tocada pelo sútil tem dessas não é mesmo?! Somos levados a procurar um sentido lógico, racional e passível de controle, já que "homo sapiens" que somos, precisamos fazer prova dessa evolução, mostrar quem é a raça que sabe.
Mas você e eu sabemos muito bem, que é impossível ter todas as respostas. Temos vislumbres. Projeções. Desejos, visualizações, criações plasmáticas, derivações de sonhos, construções de palácios mentais e mais desejos, infinitos desejos. Só não temos controle. Não temos a faculdade de saber "se" e "quando".
E é aí que eu acredito na potência do verbo. Se pararmos para analisar bem, isso é tudo temos. Uma ação concreta no presente. O verbo.
Os verbos são a classe de palavras que indicam ações, mas também acontecimentos, sentimentos ou estados.
Ele devem combinar com o número, a pessoa, o tempo, a voz e o modo. "Eu quero" é um universo inteiro, concorda?
Enamorar-se - que para mim é palavra da língua da alma - combina com vislumbres. É como se a alma tivesse expandido tanto de curiosidade que fosse capaz de invadir o futuro com os olhos bem atentos e buscasse de alguma forma traduzir o que vê em verbos. Ela esteve lá, naquele futuro, naquele universo. E voltou enamorada.
Uma alma tocada pelo "enamorarse" é sublime. Talvez um pouco boba, avoada, tímida, receosa e fogosa. E claro que, a alma enamorada é confusa, tem medo da realidade, precisa lutar duplamente contra o anseio de manter o controle. De buscar o saber. De encontrar respostas. Mas sua qualidade de sublime é indelével.
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