Há encontros que acontecem antes mesmo de alguém chegar. Encontros silenciosos, íntimos, nascidos no território secreto onde a alma pressente, antes de ver, que algo luminoso se aproxima. Os japoneses chamam isso de koi no yokan — não o amor que explode de imediato, (não o amor a primeira vista, talvez a segunda vista) mas o pressentimento delicado e intenso de que uma história está prestes a florescer. Durante muito tempo eu procurei esse sinal fora de mim. Busquei em rostos, gestos, promessas e coincidências a centelha que me dissesse: “é por aqui”. Mas a vida, sábia em seus desvios, me conduziu de volta ao meu próprio centro. E foi nesse retorno — lento, às vezes doloroso, outras vezes libertador — que percebi que o primeiro pressentimento que importa é aquele que chamamos de intuição. Voltar para mim tem sido como reencontrar uma música cujo refrão eu já sabia cantar, mesmo sem lembrar quando a ouvi pela primeira vez. Como reconhecer a letra antes de ouvir a canção. Com...
Sainte Baume e Maria Madalena Eu coloquei fotos no instagram do nosso passeio pela casa de Maria Madalena aqui na Provença, no massivo de Sainte Baume e para minha surpresa, a surpresa foi geral. Senta que lá vem a história Então vamos a contação. O massivo de Sainte Baume é primeiro uma curiosidade geológica: uma barra rochosa que se estende por 12 quilômetros, surgido de fundos marinhos depois 2° era. Sua floresta, protegida por uma falésia é uma relíquia para os franceses. Maria Madalena, discípula de Jesus, aquela liberada de 7 demônios, que esteve presente na crucificação e na ressureição de Cristo teria vivido nessa montanha. E fomos visita-lá no ano passado. Meditar nas energia de gaia e Maria Madalena. De acordo com a lenda, 14 anos depois da ascensão de Jesus e de uma absoluta fidelidade a sua nova fé, Maria Madalena deixa a região, então conhecida como Betânia, fugindo de seus perseguidores. Ela chega então a Marselha e e...
Eu tenho habilidades para fazer histórias tristes. Talvez, tal qual a natureza, eu precise flertar com a possibilidade viceral de viver a destruição. Há algo de profundamente orgânico nisso, como se uma programação biológica antiga me empurrasse, vez ou outra, a morrer para então renascer. E a morrer de novo. Muitas vezes. Nada evolui sem ruptura. Nada se transforma sem colapso. A vida avança porque algo, em algum momento, cede. Nada na natureza permanece intacto o tempo todo. Há quedas, rachaduras, secas, invernos horrendos e tempestades repentinas. E depois, quase sempre, um silêncio fértil onde algo novo começa a se organizar. Ontem, ao pé do ouvido, o menino Charlie me disse uma frase, dessas que parecem sem efeito mas carregam um mundo inteiro dentro: “ Viver para ser melhor também é um jeito de levar a vida. ” Viver para ser melhor não é viver para ser perfeita, nem para ser feliz o tempo todo. É aceitar o caos. É sustentar a pergunta. É permanecer em movimento mesmo sem ...
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