Nous. Nós em francês, que se pronuncia "nu"...Três letras despidas, uma sílaba sem armadura.
Bagunça boa de universos paralelos que se escondem por detrás dos símbolos.
Nous.
Nus de certezas.
Nus de papéis impostos.
Nus do que pesa e aperta.
Nós.
Plural de almas em travessia.
Emaranhado de fios e cordas invisíveis que nos enlaçam sem pedir licença.
Nós que apertam.
Nós que sustentam.
Nós que sufocam.
Nós que salvam.
Passei tempo demais tentando desatar tudo sozinha, achando que liberdade era ausência de laços,
quando, na verdade, ela nasce da escolha consciente do que fica e do que se solta.
Desatar nós não é romper com o mundo.
É parar de lutar contra a própria respiração.
É permitir que o fio volte a correr,
sem estrangular o pulso,
sem prender o peito.
Hoje, escolho criar laços que não me diminuem.
Laços que não exigem silêncio em troca de pertencimento.
Laços que me deixam nua — nu —
mas inteira.
Porque nous, quando verdadeiro,
não aprisiona.
Entrelaça.
E nesse entrelaçar consciente,
há espaço para amor,
para desejo,
para dinheiro que circula,
para prazer que não pede desculpas,
para uma mulher que se sabe bela
Desatar nós
para criar laços.
E seguir.
Com o fio solto,
o coração alinhado,
e a certeza serena
de que grandes histórias ainda podem —
e vão — acontecer.
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